ESTUDO SOBRE PRODUÇÃO DE MUDAS 100% ORGÂNICAS – VIVEIRO INSTITUTO DA ÁRVORE

 

O Projeto Viveiro IA, realizado pelo Instituto da Árvore-IA no período de março de 2015 a outubro de 2017, com o patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental, tem como objetivo principal a produção de mudas de espécies florestais de qualidade, de espécies nativas da Mata Atlântica, produção esta realizada de forma 100% orgânica.

Atualmente, em fase de finalização, o projeto alcançou a meta de produção de 25 mil mudas de 64 espécies, 52 nativas da Mata Atlântica, com percentual de pega de mudas de 80%.

As sementes utilizadas não passam por tratamentos químicos e foram adquiridas de empresa devidamente credenciada no RENASEM ou coletadas por coletores capacitados em oficinas realizadas por este projeto, de matrizes identificadas e mapeadas também durante estas oficinas.

O substrato utilizado é composto por uma mistura de 50% terra vermelha (rica em argila), 25% areia e 25% composto orgânico produzido através de compostagem/minhocário no próprio local ou adquirido via amplo mercado em caso da produção não ser suficiente, não utilizando fertilizantes químicos.

A compostagem/minhocário do Instituto da Árvore - IA é realizada com restos orgânico oriundos da pousada “O Flautista”, e folhas secas rasteladas no próprio viveiro. Este composto antes de ser utilizado para composição do substrato das mudas é peneirado.

A base desta produção é o trabalho de prevenção e tratamento de pragas ou doenças com aplicações a base Homeopatia e Microorganismos Eficazes (EM).

Seguem abaixo explicações a respeito deste tipo de tratamento encontradas em algumas pesquisas realizadas:

- Homeopatia

Agricultura Vitalista  - A Ciência da Homeopatia Aplicada na Agricultura - Fabrício Rossi

A legalidade da aplicação da homeopatia pelo Engenheiro Agrônomo veio através da agricultura orgânica. Em 16 de outubro de 1998 foi publicada no Diário Oficial da União, pelo Ministério da Agricultura, a Portaria n.505, que, em 17 de maio de 1999, se transformou na Instrução Normativa n. 007, para apreciação e manifestação da sociedade civil. A instrução abrange os produtos denominados orgânicos, ecológicos, biodinâmicos, naturais, sustentáveis, regenerativos, biológicos e agroecológicos, bem como a permacultura. Inclui medidas sobre a saúde ambiental e humana e visa assegurar a transparência em todos os estágios da produção e da transformação (Brasil, 1999; Fonseca, 2002).

A agricultura orgânica gera inúmeros benefícios em todo o sistema agropecuário envolvido. Ela envolve o conceito de produção socialmente e ecologicamente correta e economicamente viável. A saúde dos seres humanos, dos animais e das plantas é conseqüência de solos equilibrados e biologicamente ativos (vivos), em conjunto com a biodiversidade funcional do sistema, ambos baseados na agroecologia.

Esta agricultura de processos leva em conta a reciclagem máxima dos nutrientes necessários ou oriundos da produção. A terra e o trabalho, a mão-de-obra e a matéria orgânica são essenciais neste agroecossistema. Este sistema de produção implica na adoção de técnicas de manejo integradoras das atividades agropecuárias, sendo que a obtenção de um alimento orgânico passa pela geração interna dos insumos necessários ao cultivo ou criação. Neste contexto, são essenciais a adoção e aplicação de técnicas que promovam o equilíbrio do sistema e que não contaminem os alimentos produzidos e o meio ambiente. A ciência da homeopatia se enquadra perfeitamente neste caso.

A primeira dissertação ao nível de pós-graduação no Brasil foi defendida pela Engenheira Agrônoma Fernanda Maria Coutinho Andrade, em 13 de dezembro de 1999, sob orientação do Prof. Dr. Vicente Wagner Dias Casali, do Departamento de Fitotecnia, da Universidade Federal de Viçosa (Andrade, 2000).

Andrade (2000) ao analisar a história de Justicia pectoralis, planta medicinal conhecida pelo nome comum de Chambá, verificou que está espécie, originada das Américas tropicais, onde crescem em condições de sub-bosque de floresta secundária, apresentou semelhança com a patogenesia da Arnica montana. Esse medicamento é indicado a organismos com comportamento defensivo e hipersensibilidade ao tato após condições traumáticas (Lathoud, 2001). Andrade (2000) comprovou que diversas soluções homeopáticas interferem na produção de cumarinas em chambá (Justicia pectoralis), podendo haver aumento de até 77% na concentração destes compostos em relação à testemunha não tratada. Segundo Rossi (2004) embora possível essa analogia não é fácil, e será papel dos pesquisadores em ciências agrárias desenvolver quadros de fitopatogenesia e formar a matéria médica para os vegetais.

 

A Homeopatia na Sanidade Vegetal

De maneira geral, plantas medicinais e aromáticas, as quais em grande parte não foram submetidas ao melhoramento genético para seleção de características produtivas, vêm sendo consideradas sadias, e por isso sendo utilizadas em experimentações homeopáticas.

Castro (2001) verificou que a homeopatia isoterápico CH12 (planta matriz) proporcionou alta produção de biomassa rica em óleo essencial com teor razoável de citral no capim limão (Cymbopogon citratus), sendo que o mesmo elevou-se cerca de 25% quando comparado com a testemunha, tratada com água. A homeopátia Sulphur CH200 foi responsável pela menor produção de óleo essencial, reduzindo-a em aproximadamente 25% em relação à testemunha. A solução homeopática da planta matriz teve efeito destacado, observando-se que na potência CH12 a média de produção de óleo essencial.

Carvalho (2001) verificou efeito de Natrum muriaticum CH2 (cloreto de sódio) tanto em plantas de artemisia (Tanacetum parthenium) consideradas sadias, nas quais aumentou o teor de prolina nas folhas, quanto em plantas submetidas à deficiência hídrica, nas quais causou redução imediata desse teor.

Almeida (2002) observou que o Phosphorus CH30 diminuiu em 140% a produção de óleo essencial do manjericão e aumentou em 40% a produção da matéria fresca das inflorescências de manjericão em comparação com a testemunha-água destilada.

Os experimentos realizados na horticultura, fruticultura, floricultura, culturas anuais e perenes podem ser realizados aplicando-se soluções homeopáticas e verificando as respostas das plantas na sua fisiologia, produtividade, qualidade dos produtos colhidos e resposta frente ao ataque de pragas e doenças, haja vista que vegetais equilibrados “adoecem” menos.

Respostas positivas vêm sendo consideradas como efeitos terapêuticos e respostas negativas como fitopatogenesia, considerando que as plantas estavam sadias.

Em hortaliças, Castro (2002) mostrou que Phosphorus, tanto na escala decimal quanto na centesimal, exerce efeito sobre o rabanete.

Almeida (2002) demonstrou que plantas de manjericão intoxicadas por cobre podem ser desintoxicadas com Cuprum CH30.

Rossi et al. (2003) verificou que a solução homeopática Carbo vegetabilis CH30, aplicado na freqüência de 48 horas, incrementou o peso seco da alface em 22% em relação à testemunha.

Luis & Moreno (2007) estudaram o efeito de medicamentos homeopáticos a base de Calcarea, na dinamização CH30, no crescimento vegetativo de cebolinha, e verificaram que a Calcarea fluorica CH30 incrementou em aproximadamente 45% a produção de peso fresco da cebolinha em relação à testemunha.

No cultivo orgânico de morango as preparações homeopáticas interferiram na produção das mudas, sendo que Carbo vegetabilis CH30 incrementou a produção e Antimonium tartaricum CH30 e Natrum phosphoricum CH30 deprimiram a produção (Rossi et al., 2003).

Algumas recomendações práticas para uso da homeopatia em plantas Segundo Moreno (2007) são recomendações do uso de medicamentos homeopáticos em plantas:

- Silicea terra: planta com crescimento lento, ataque de míldios ou outros fungos. Plantas raquíticas. Interrupções de crescimento. Atraso na produção.

- Carbo vegetabilis: depois de ataque de insetos desfolhadores, deficiência hídrica, mudança de temperatura, queda de flores, morte de gemas, plantas em solos compactados.

- Apis mellifica: planta muito debilitada por causa de alta produção, variedades pouco tolerantes ao calor, baixa fertilidade do pólen, queda de flores e frutos.

- Calcarea phosforica: estresse hídrico, podridão apical de frutos, sensibilidade aguda depois de alta produção.

- Magnesia carbonica: aborto de flores, ausência de floração, sensibilidade a baixas temperaturas, excesso ou deficiência de magnésio ou cálcio.

- Staphysagria: ataque de pulgões, nematóides ou ácaros, plantas com excesso de sombreamento. - Nux vomica: plantas intoxicadas por agrotóxicos.

- Sulphur: excesso de transpiração, plantas exigentes de fertilização.

- Arnica montana: plantas de clima templado (clima frio) em épocas de calor, depois de eliminar as gemas, depois de colheitas que danificam as ramas (sempre que hajam danos mecânicos nos tecidos).

- Calcarea carbonica, Calcarea phosforica, Calcarea fluorica: plantas que não respondem aos fertilizantes, que apresentam crescimento lento, necroses nos bordos das folhas.

- Chamomilla: utiliza-se para aumentar a absorção de nitrogênio pelas plantas.

- Carbo vegetabilis: pode ser utilizado para reativar de forma equilibrada os biofertilizantes. Unido a Nux vomica pode ser utilizada para descontaminar a água.

- Cina: controle de nematóides, pragas e bactérias. - Valeriana officinalis: é eficiente em fornecer resistência.

 

A Utilização de Nosódios ou Bioterápicos

Os nosódios ou bioterápicos aplicados aos vegetais são preparados dinamizados feitos a partir de cultura puras de patógenos, plantas doentes ou pragas de acordo com a farmacopéia homeopática. Quando não aplicados seguindo os pilares da homeopatia propostos por Dr. Hahnemann, os medicamento são considerados isoterápicos (Isoterapia = doença igual). A preparação do nosódio ou bioterápico é um processo relativamente simples.

Para exemplificar a sua produção transcrevemos parte do texto da “Cartilha de Homeopatia”, que são informações geradas por agricultores orgânicos da região da Vertente do Caparaó, em Minas Gerais. Nosódio do Inseto-praga (Rezende, 2003)

- Pegar os insetos vivos. A praga deve estar com toda a sua força, com toda a sua agressividade. Não use o inseto-pragas morto ou enfraquecido. Pegar o inseto que ataca. Se for lagarta é com as lagartas que você vai fazer o nosódio.  

-Fazer o nosódio de cada praga separado.

-Encontrar uma medida (tampa, vidro pequeno) de aproximadamente “uma décima parte” do vidro grande que você vai usar. Usar álcool 70%. Com essa medida você calcula quantos insetos vivos você vai jogar dentro do álcool. Usar 9 partes do álcool para 1 parte da praga.

-Coloque o álcool no vidro (escurecer o vidro). Coloque os insetos vivos no álcool. Tampar o vidro e deixar de molho (guardado) por 15 dias. Pode agitar até diariamente.

-Depois de 15 dias coar em pano limpo. Este suco dos insetos (a praga de suas plantas) é a tintura mãe (TM). É da tintura mãe que se faz a CH1 pegando um vidro com capacidade para 30 mL, colocando 20 mL de álcool 70% e colocando 5 gotas da tintura mãe. Fazer a sucussão, ou seja, bater no mesmo ritmo 100 vezes. Assim está feito a CH1.

-Para fazer a CH2, pegar 20 mL de álcool 70% em outro vidrinho limpo, colocar 5 gotas do CH1 e bater 100 vezes, assim está pronto a CH2.

- Para fazer a CH3 utilizar a CH2 e assim por diante.

-Aplicar o CH6 em pulverizações da seguinte forma. Em um litro de álcool colocar 6 mL de nosódio do inseto-praga CH6. Agitar o litro e retirar 100 mL colocando no pulverizador (Bomba) de 20 litros. A pulverização deve ser feita sempre de manhã, nas primeiras horas do dia, tão logo haja visibilidade no meio rural. A diluição do preparado homeopático é feita somente na hora de aplicar, colocando primeiro 100 mL do preparado homeopático e completando a bomba de 20 litros com a água.

Cuidados ao fazer, ao guardar e ao usar as homeopatias (Rezende, 2003)

Usar vidro de cor âmbar (escura). Se usar vidro claro (vidro comum) manter sempre envolvido com papel escuro. As tinturas e preparados homeopático devem ficar sempre no escuro.

Não colocar em lugares com cheiro forte, nem usar naftalina em casa (a naftalina é tóxica).

Não deixar em cima de aparelhos elétricos (televisão, geladeira, etc.)

Esterilizar os frascos de vidros a serem usados.

Usar água pura e limpa e álcool de cereais.

Água pura e limpa pode ser a água destilada, ou a água fervida por 30 (trinta) minutos no mínimo.

Não usar vasilhas de metal ou alumínio.

Não reutilizar frascos plásticos, ainda que seja com a mesma homeopatia. 

Deve ser usado pulverizador (bomba) novo que nunca tenha sido usado agrotóxicos, e que fique separado destinado somente às homeopatias. Que seja marcado/identificado/pintado. 

Ao se mudar de homeopatia, lavar o pulverizador com água, várias vezes. Na última lavagem usar álcool de modo que em todas as paredes internas do pulverizador o álcool tenha tido contato e tenha enxaguado.

 

Na produção de milho-doce o nosódio elaborado com lagarta do cartucho diminuiu significativamente o número de plantas atacadas pela lagarta enquanto que o nosódio da tesourinha, inimigo natural da lagarta, diminuiu o número de indivíduos da tesourinha favorecendo o ataque da lagarta.

Almeida (2001) detectou a rejeição das mariposas, na fase de postura, pelas plantas de milho que receberam o nosódio feito da lagarta. A mariposa fez posturas nas telas da gaiola, comportamento extremo e incomum, revelando o poder da informação passada pelo nosódio da lagarta à planta de milho.

Em ensaio com pulgões (Brevicoryne brassicae), Mapeli (2006), obteve redução do número de colônias de ningas, quando aplicado o preparo do pulgão na CH30.

No Viveiro IA, um ótimo exemplo do sucesso da utilização da homeopatia foi a utilização de arnica montana na recuperação das mudas atacadas por pulgões e cochonilhas.

 

 

 

- EM - Microorganismos Eficazes

O que são?

EM (EM-4 ou EM-5) ou microrganismos eficazes são um conjunto de microrganismos que vivem no solo naturalmente fértil. Nele coexistem mais de 10 gêneros e 80 espécies de microrganismos chamados de eficazes, pois agem no solo, fazendo com que a sua capacidade natural tenha plena ação. Pode-se dizer que o EM é constituído basicamente por quatro grupos de microrganismos que são: 

- Leveduras: sintetizam substâncias antimicrobianas e outras substâncias necessárias ao crescimento da planta, a partir de aminoácidos e açúcares secretados pela bactéria fotossintética, pela matéria orgânica e pelas raízes das plantas. As substâncias bioativas, tais como hormônios e enzimas produzidas pelas leveduras, provocam atividade celular e divisão de raízes. 

- Actinomicetos: controlam fungos e bactérias patogênicas e também conferem às plantas maior resistência aos mesmos, através do contato com patógenos enfraquecidos.

- Bactérias produtoras de ácido lático: produzem ácido de açúcares e de outros carboidratos desenvolvidos pela bactéria fotossintética e pela levedura. A bactéria do ácido lático é um forte composto esterilizante que elimina microrganismos nocivos, melhora a decomposição da matéria orgânica e ainda promove a fermentação e a decomposição de materiais tais como lignina e celulose. Ela também tem a capacidade de eliminar microrganismos que induzem a doenças, como o Fusarium, que se desenvolve em colheitas contínuas.

- Bactérias fotossintetizantes: ou fototrópica são um grupo de micróbios independentes e autônomos. Essas bactérias sintetizam substâncias úteis da secreção de raízes, matéria orgânica e/ou gases nocivos (hidrogênio sulfurado), usando a luz do sol e o calor do solo como fontes de energia. As substâncias úteis desenvolvidas por esses micróbios incluem aminoácidos, ácido nucléicos, substâncias bioativas e açúcares, que impulsionam o crescimento da planta.

Porque usar?

Na natureza, nos solos intocados pelo homem, observasse uma interação natural através da reciclagem de matéria orgânica pelos microrganismos do solo aumentado assim, entre outros fatores, a fertilidade do mesmo.

Já em solos cultivados pelo homem, como o tempo e o mau uso, a degradação é eminente, levando o solo ao esgotamento e ao desequilíbrio da flora microbiana do mesmo. Esse desequilíbrio da flora microbiana favorece o aumente predominante dos microrganismos degenerativos, que produzem no seu metabolismo primário amônia, sulfeto de hidrogênio, mercaptana, entre outros, e que, por estarem em desequilíbrio, são desfavoráveis ao desenvolvimento do vegetal, favorecendo o aparecimento de pragas e doenças. A matéria orgânica contida no solo é então decomposta pelos microrganismos degenerativos gerando gases e calor, poluindo ambiente, gerando compostos inorgânicos e contribuindo para a compactação do solo

Com a introdução de EM no solo, que são microrganismos regenerativos, que produzem substâncias orgânicas úteis às plantas como enzimas, aminoácidos, ácidos nucléicos, etc. ..., e no seu metabolismo secundário podem produzir hormônios e vitaminas, ocorre uma melhora nas propriedades físicas, químicas e biológicas. As substâncias liberadas pelos microrganismos ainda exercem, direta ou indiretamente, influência positiva no crescimento da planta. Com o uso do EM teremos novamente o equilíbrio da vida do solo.

Benefícios do uso: 

- melhoram a capacidade fotossintética das plantas; 

- aumentam a eficácia das matérias orgânicas como fertilizantes;

- melhoram os aspectos físico, químico e biológico do solo;

- eliminam doenças e patógenos do solo; 

- fermentam matéria orgânica ao contrário de deteriorá-la. Assim, qualquer tipo de matéria orgânica pode ser usada para fazer composto com EM, já que não há produção de odores ofensivos; 

- decompõem matéria orgânica rapidamente, uma vez incorporada no solo; 

- facilitam a liberação de quantidades maiores de nutrientes para as plantas.

Alem disso, experiências no campo, têm demonstrado uma uniformidade na germinação de sementes em solos tratados com EM. Em áreas infestadas com plantas invasoras, após a capina e a pulverização com EM e a incorporação ao solo, as mesmas funcionam como fertilizante. 

Alguns usuários e pesquisadores atribuem efeito herbicida ao EM-4 e efeitos fungicidas e inseticidas ao EM-5. 

 

Como preparar ME – Microorganismos Eficazes (EM4)

  • 1 gomo de bambu açú cortado ao meio

  • 700 gramas de arroz cozido sem óleo e sem tempero

  • 1 litro de garapa

  • 5 garrafas pet’s

 

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Captura dos Microrganismos Eficientes:

 

  • Cozinhe aproximadamente 700 gramas de arroz sem sal.

  • Coloque o arroz cozido em bandeja de plástico ou de madeira ou ainda em calhas de bambu.

  • Cobrir com tela fina visando proteger.

  • Coloque a bandeja com arroz e a tela em mata virgem (na borda da mata) e deste modo capturar os microrganismos.

  • No local onde vai deixar a bandeja, afastar a matéria orgânica (serrapilheira). Após colocar a bandeja, a matéria orgânica que foi afastada deve cobrir a bandeja sobre a tela.

  • Após 10 a 15 dias os microrganismos já estarão capturados e criados.

  • Nas partes do arroz que ficarem com as colorações rosada, azulada, amarelada e alaranjada estarão os microrganismos eficientes (regeneradores). As partes com coloração cinza, marrom e preto devem ser descartadas (deixe na própria mata).

  • Observação: as colorações no arroz variam em função do tipo de mata onde foram capturados os microrganismos.

  • Quanto mais diversificada e estruturada for a mata mais cores estarão presentes.

 

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Ativar os Microrganismos Eficientes:

 

  • Distribuir o arroz colorido em mais ou menos 5 garrafas de plástico de 2 litros

  • Colocar 200 ml de melaço em cada garrafa.

  • Completar as garrafas com água limpa (sem cloro) ou água de arroz.

  • Fechar as garrafas e deixar à sombra por 10 a 20 dias.

  • Liberar o gás (abrir a tampa) armazenado nas garrafas, de 2 em 2 dias.

  • Coloque a tampa e aperte a garrafa pelos lados retirando o ar que ficou dentro da garrafa (a fermentação deve ser anaeróbica, ou seja, sem ar, sem presença do Oxigênio). Aperte bem a tampa.

  • Está pronto o EM (neste momento não há mais produção de gás dentro da garrafa).

O EM tem coloração alaranjada. Pode ser mais clara ou mais escura, o que depende da matéria-prima, não implicando, porém, na qualidade do produto. O cheiro é doce agradável. No caso de apresentar mau cheiro, o EM não deve ser usado. Pode ser armazenado por até 1 ano.

Observações:

 

  • A água tratada com cloro (água de rua, água de cidade) deve ser previamente colocada em recipiente destampado.

  • Somente após 24 horas a água poderá ser usada. Isso porque o cloro mata os microrganismos. A água de mina é usada diretamente.

  • O melado (pode ser substituído por caldo de cana) é alimento dos microrganismos. Por isso faz crescer a comunidade microbiana ativa que pelas reações de fermentação, produzem ácidos orgânicos, hormônios vegetais (giberelinas, auxinas e citocinina), além de vitaminas, antibióticos e polissacarídeos, enriquecendo a solução.

 

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Onde e como usar:

 

Usos Agrícolas

 

  • EM solo: 100 ml para cada 100 litros de água;

  • EM planta: para cada 100 litros do EM solo, colocar 5 ml de vinagre.

  • No Bokashi: aplicar o EM até atingir 50% de umidade, ou quando se apertar um punhado da mistura e ela fica molhado sem escorrimento de água entre os dedos

 

  • Inoculação em sementes (use somente sementes que não foram tratadas com fungicidas):

Coloque as sementes imersas em solução de EM/solo durante 1 hora. Sementes que absorvem mais água ficam tempo menor. Sementes que absorvem menos água ficam maior tempo imersas.

Pode ser feita a peletização das sementes: umedecer sementes com a solução EM/solo. Acrescentar cinza de fogão ou farelo (pode ser farelo de arroz, soja, mamona, etc.) envolvendo as sementes. Pronto, está feita a peletização.

 

  • Preparo de solo ou berço (cova é de defunto):

Misture matéria orgânica vegetal (mato, adubação verde, etc.…) com ½ de farinha de osso (200 g/m2) + ½ farelo de arroz (200 g/m2) a terra.

Molhar BEM o terreno/leiras com uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 por m2 (em solos muito pobres pode-se usar até 1:1:300). Cobrir o solo com palha ou capim.

Se você tiver pressa, após 10 dias pode-se fazer o plantio das sementes ou transplante das mudas. O ideal é aguardar 3 meses para usar o berço e, uma semana antes de plantar, regar com uma solução de EM a 1:1000.

 

  • Nos solos e nos berçários de plantio:

Cada 1 litro do EM dissolver em 1000 litros de água e está pronto o EM/solo (solução de aplicação ao solo).

Lembrete: a água tratada com cloro deve ser colocada um dia antes em recipiente destampado, por 24 horas. No dia seguinte acrescente o EM. O cloro mata microrganismos.

O EM/solo é utilizado na pulverização da terra como ativador/acelerador da decomposição da matéria orgânica, contribuindo com o aumento da vida no solo. É tecnologia de mobilização dos nutrientes.

O bom preparo do solo é feito cobrindo o solo com produtos naturais de origem vegetal (folhas, adubação verde, capim picado, restos de cultura, etc.) e de origem animal (esterco, “cama de galinha”). Molhar o solo ou as leiras com a solução de EM/solo.

Atenção! Molhar bem as leiras. Após a aplicação do EM/solo cobrir as leiras com capim ou palha. Manter o solo úmido. Esperar 7 a 10 dias até o semeio ou o transplante das mudas.

 

  • Pulverizações foliares:

Fazer uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 e fazer pulverizações foliares semanalmente até observar uma melhora na estrutura do solo e na saúde das plantas, então pulverize quinzenalmente.

 

  • Preparos de compostos:

Fazer os montes de no máximo 1 metro de altura, regar com uma solução de EM a 1:100. Proceder aos tratos para como em uma compostagem normal.

Não deixar que a temperatura sua alem de 55ºC, caso isso venha a acontecer, revolver o monte.

Ao revolver, caso o monte apresente mau cheiro, regar novamente com a solução de EM indicada acima.

Dependendo das condições ambientes, do material usado para compostar e do local o composto poderá ficar pronto em 15 dias, no mínimo.

 

  • Pulverização de plantas:

A pulverização das plantas é feita com o EM/planta. Adicione em 100 litros de EM/solo, ½ litro de vinagre e está pronto o EM/planta.

É indicado após a germinação ou em culturas já estabelecidas.

Aplicar via pulverizações foliares ou via regador.

Fazer aplicação semanal até melhorar a estrutura do solo ou melhorar a saúde da planta. Depois fazer pulverizações quinzenais. No ano em que se começa a usar o EM, o número de aplicações é maior. Se as condições de crescimento das plantas estiverem em ordem, ano após ano, a frequência pode diminuir.

Pulverizar no período da manhã ou após a chuva

 

  • Na recuperação de solos degradados a sugestão de dosagem e frequência de uso é a seguinte:

    • 100 a 200 L por ha, realizando 4 a 8 aplicações anuais.

    • 1º ano ‒ 200 L por ha / 8 aplicações por ano

    • 2º ano ‒ 150 L por ha / 6 aplicações por ano

    • 3º ano em diante ‒ 100 L por ha / 4 aplicações por ano.

    •  

Dicas e cuidados:

  • Não espere resultados imediatos. O EM é um organismo vivo e, para atuar sobre a matéria orgânica, tem que, primeiro, se adaptar ao solo para, aos poucos, ir recuperando-o;

  • Utilizar a solução (EM + caldo de cana + água) no mesmo dia de preparo;

  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações no final da tarde ou em dias nublados;

  • No caso de queimar as bordas das folhas, utilizar uma concentração menor, 1 ml para 2 litros de água;

  • Não utilizar água tratada com cloro. Nesse caso separar um recipiente com água e ou deixar – descansar por 24 horas ou use desclorante comercial antes de misturar o EM;

A aplicação de EM só terá bom resultado se observada outras técnicas da Agricultura Orgânica, como: cobertura do solo com palha, adição de matéria orgânica (adubação verde, compostagem, biofertilizante), um bom manejo conservacionista do solo, rotação e consorciação de culturas, entre outras práticas.

 

Cuidados ao guardar e aplicar o EM:

 

  • Guardar em local fresco e ventilado.

  • Utilizar a solução no mesmo dia de preparo.

  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações pela manhã, bem cedinho, no final da tarde ou em dias nublados.

  • Os microrganismos são muito sensíveis à seca, por isso, no período do verão, quando a insolação é muito forte, a aplicação deve ser feita ao entardecer ou em dias nublados. O ideal é aplicar antes e depois da chuva, quando o solo está úmido.

  • Se queimar as bordas das folhas utilize concentração menor.

  • Não utilizar água clorada (de cidade). Separar o recipiente com água e após 24 horas obter a solução de EM.

  • As aplicações de EM podem ser feitas em conjunto com biofertilizantes.

  • O pulverizador ou o regador utilizado com agrotóxico deve ser lavado com água e sabão, diversas vezes, até sair todo o veneno. Se possível compre novo, separe e deixe só por conta do EM;

 

O Viveiro IA obtive grande sucesso no uso de Microorganismos Eficazes, tanto nas sementes, sementeiras, composto, substrato das mudas, quanto nas aplicações foliares.

 

 

Fontes:

- Documento eletrônico: Bases para a produção de Café Orgânico, de Vanessa Cristina de Almeida Theodoro, Ivan Franco Caixeta e Sérgio Pedini;

- CEPAGRI. Agricultura alternativa ecológica. Livro Verde. Caçador. Santa Catarina. 
- VALE, F.R. do; GUEDES, G.A. de A.; GUILHERME, L.R.G. Manejo da fertilidade do solo. Lavras: UFLA/FAEPE, 1995

 - Fundação Mokiti Okada. Introdução a Agricultura Natural. São Paulo, SP, 1982. 

Sites:

- https://tudosobreplantas.wordpress.com/2016/02/28/como-preparar-me-microorganismos-eficazes-em4/

-  http://www.cesaho.com.br/biblioteca_virtual/arquivos/arquivo_54_cesaho.pdf

I Encontro Sobre Estudos em Homeopatia Medicina – Veterinária – Farmácia – Agronomia -  8 de março de 2008 CESAHO – Centro de Estudos Avançados em Homeopatia www.cesaho.com.br

 

ANDRADE, F. M. C. Homeopatia no crescimento e na produção de cumarina em chambá (Justicia pectoralis Jacq). 2000. 214p. Tese (Mestrado em Fitotecnia) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa – MG.

ALMEIDA, A. Experimentação de homeopatias no milho doce. 2001. Tese (Mestrado em Entomologia) Universidade Federal de Viçosa, Viçosa – MG.

ALMEIDA, M. A. Z. Resposta do manjericão (Ocimum basilicum L.) à aplicação de preparações homeopáticas. 2002. 101p. Tese (Mestrado em Fitotecnia) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa – MG.

BRASIL. Instrução normativa no 7, de 17 de maio de 1999. Dispõe sobre as normas para a produção de produtos orgânicos vegetais e animais. Diário Oficial da República Federal do Brasil, Brasília, v.99, n.94, p.11-14, 19 de maio de 1999. (Seção 1).

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